Dando continuidade aos artigos cujo tema é: “mitos e verdades sobre a ciência”, vamos desmistificar informações do cotidiano utilizando os conhecimentos científicos da Biologia.

Nesse segundo artigo, abordaremos a relação entre as crianças e o novo coronavírus.

Mito ou verdade: é possível afrouxar o isolamento social reabrindo as escolas para as crianças, já que elas estão protegidas da Covid-19?

MITO!

Oito crianças com até quatro anos morreram em decorrência da Covid-19 no Ceará, conforme dados registrados até o dia 20 de abril no Portal IntegraSUS. O Estado contabiliza ainda mais de 150 casos de pacientes infectados na faixa etária entre zero e 19 anos.

Em tempo de pandemia, o novo coronavírus (SARS-CoV-2) é o agente etiológico da doença Covid-19 nos seres humanos. Ela é uma infecção que se inicia com os sintomas de um resfriado e gripe, no entanto, pode se agravar e levar o doente a morte. Essa doença é transmitida, principalmente, de uma pessoa para a outra, por meio das gotículas respiratórias contaminadas e eliminadas quando o infectado fala ou tosse ou espirra. Uma pessoa saudável, que aspira o ar contaminado ou toca um objeto nas mesmas condições, e leva as mãos aos olhos, boca ou nariz, sem antes higienizá-las, pode se contaminar. É importante destacar que indivíduos contaminados podem transmitir o vírus antes mesmo de apresentar os sintomas. Dependendo do sistema imunológico de cada pessoa esses sintomas podem ser mais ou menos graves.

Muito se tem falado sobre as pessoas acima de 60 anos acometidas pela nova doença, pois estas pessoas tendem a ter um sistema de defesa mais debilitado e se enquadram no grupo de risco. No início da pandemia, pensava-se que crianças não estavam sendo infectadas, mas isso não é verdade. Entender como o novo coronavírus atinge as crianças ajuda a desenvolver métodos preventivos.

Segundo os autores do periódico Pediatrics de uma série de 2000 crianças com suspeita ou confirmação de Covid-19, 4% dos casos confirmados tinham infecção assintomática, e essa taxa quase certamente subestima a verdadeira taxa de infecção, porque é improvável que muitas crianças assintomáticas sejam testadas. Entre as crianças sintomáticas, 5% apresentaram dificuldade de respirar e 0,6% evoluíram para síndrome da angústia respiratória aguda (uma taxa menor quando comparada aos adultos). 

Ainda segundo o referido artigo, as crianças podem desempenhar um papel importante na transmissão viral baseada na comunidade. Os dados disponíveis sugerem que as crianças podem ter maior comprometimento do trato respiratório superior (cavidade nasal, faringe e laringe) incluindo transporte nasofaríngeo, em vez de comprometimento do trato respiratório inferior (traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares). Também há evidências de derramamento viral nas fezes por várias semanas após o diagnóstico e replicação viral no trato intestinal, levando a preocupações com a transmissão fecal-oral do vírus, principalmente em bebês e crianças que ainda não são treinadas para usar o banheiro. O derramamento prolongado nas secreções nasais e nas fezes, tem implicações substanciais para a disseminação do Covid-19 em creches, escolas e em casa. É importante praticar com as crianças todas as medidas de higiene e o distanciamento social para evitar a transmissão do vírus, principalmente, para as pessoas que podem estar em maior risco de infecção, como avós ou pessoas com doenças crônicas (diabetes, hipertensão, câncer, entre outras).

Ainda há muito a conhecer sobre os impactos desse vírus nas crianças e adolescentes, tão quanto o impacto delas na transmissão viral. É preciso ter atenção às crianças ou qualquer pessoa contaminada e assintomática devido à maioria delas não apresentar sintomas reconhecíveis da Covid-19 e estarem abrigando e disseminando o respectivo agente etiológico da doença.

Abrir as escolas e creches aqui, no Brasil, neste momento é assumir um risco imensurável, já que essa epidemia em nosso país ainda está longe de recuar. Muitas crianças são cuidadas por seus avós, pessoas do grupo de risco. O retorno à escola terá efeitos benéficos em termos de nutrição e acesso ao ensino para as crianças de famílias com menos recursos, mas, mesmo assim, com certeza colocaria os familiares dessas crianças em risco. Dessa forma, o pico da curva de contaminação tenderia a aumentar ainda mais, sem falar que muitos Estados brasileiros já enfrentam o colapso em seu sistema de saúde.

Tudo é muito difícil nesse momento, mas uma coisa é certa, como disse Leandro Karnal: “O vírus é um dado objetivo da natureza, ele não é moral, ele não é vingativo, ele não é ciumento. Então, gente otimista contrai o vírus, gente pessimista, da esquerda e da direita contrai o vírus.”

Fica um recado: cuide-se e cuide da sua família. Fica em casa! Se precisar sair, leve a máscara e o álcool em gel.

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