Meu nome é Luísa Figueiredo Alves, tenho 16 anos, sou aluna da 2ª Série do Ensino Médio e hoje, vou contar um pouquinho sobre minha história…

Faz uma década que estudo no CNSD. De acordo com a minha idade, considero esse período relativo à minha vida toda, praticamente. E pensando bem… eu tive uma vida boa. Se eu fosse definir o colégio em uma palavra, eu escolheria “acolhimento”. Não entrarei em muitos detalhes, porque seriam muitas páginas com as minhas experiências, mas o fato é que lá eu sempre fui muito respeitada por todos desde sempre. Eu sempre fui muito ajudada e amada pela escola, mesmo sendo, digamos, “diferente” dos outros.

O sentimento não mudou. As circunstâncias, infelizmente, sim. Estamos em isolamento desde o dia 18 de março e não está sendo nada fácil.

Mas também, como alguém poderia saber que o novo vírus tomaria proporções tão extraordinárias? Como alguém poderia saber que as escolas que, inicialmente, fechariam suas portas por uma semana, com o desenrolar dos acontecimentos, teriam esse prazo estendido por tempo indeterminado? Como alguém poderia saber que, do dia para a noite, nós não poderíamos nem sair de casa direito?

O choque foi uma unanimidade. Isso eu afirmo com toda a certeza. Nossas vidas foram reviradas de cabeça para baixo: a sensação de incerteza sobre o futuro começou a aparecer; o dia a dia não era mais o mesmo; a lavagem e desinfecção do próprio corpo, com produtos específicos,  nunca foi tão crucial; e até as relações com a família e amigos tiveram que mudar.

Embora a nova realidade fosse um tanto confusa e, por vezes, frustrante e entristecedora, foi preciso nos adaptar, inclusive, ao modo como fazíamos as coisas, como trabalhávamos ou íamos para a escola. Eu, como estudante, fui seriamente afetada por isso.

Nos primeiros nove dias de quarentena, o CNSD disse aos professores que postassem atividades de revisão. E eu fiz todas, como se tudo estivesse normal. No décimo dia, no entanto, as coisas começaram a tomar um rumo diferente. Um comunicado oficial via aplicativo, nos alertou que, em dois dias, começaríamos a usar uma plataforma para continuar tendo aulas… remotamente.

Isso foi um tanto assustador, sabe? Eu acho que foi a partir daí que comecei a perceber a real gravidade da situação. A educação a distância, que sempre pareceu algo tão longe de mim, agora estava a 48 horas de ser parte da minha nova rotina diária.

Mesmo sentindo que estava tudo confuso, eu sabia que era justificável. Tudo aquilo era novidade para todo mundo.

Nos dias que se seguiram, as coisas tornaram-se menos ruins: unificaram as duas segundas séries, reajustaram os horários, e nós, alunos e professores, começamos a nos familiarizar com a plataforma.

E cá estou eu, um mês depois desse início conturbado para falar que eu sobrevivi. Sobrevivi àquela tormenta inicial. Não está sendo tão sofrido quanto eu pensei que fosse ser, mas ainda assim, é difícil.

Eu sinto falta da escola. Sinto falta dos meus amigos, dos meus colegas, dos professores e dos funcionários. Sinto falta das crianças correndo e congestionando, quase que completamente, a entrada do prédio central. Sinto falta dos meus almoços no restaurante e de toda segunda e quarta, de comprar balas com o Maninho e com a Simone, de ficar na lanchonete da Amanda. Sinto falta das aulas presenciais, das piadas, dos sorrisos e até das broncas.

É muito estranho conversar com as pessoas via internet, ter debates, fazer perguntas, aprender e ensinar sem sentir o calor humano. É muito difícil ter que recriar uma rotina para mim mesma… eu estava tão acostumada com a outra rotina, que levava antes da quarentena (mesmo reclamando de vez em quando). É muito difícil ter autonomia e responsabilidade para lidar com os estudos. É muito difícil não se distrair ou não se procrastinar quando estamos dentro de casa, dividindo espaço com atrativos muito mais interessantes que um caderno, como a TV, o celular ou a própria cama.

Mas eu penso que a gente precisa tentar. Não custa nada. A gente precisa manter em mente que todo esse desconforto é temporário. Precisamos pensar que o estudo é, sim, importante para o nosso futuro. Precisamos pensar nos nossos pais, que pagam uma mensalidade para que a gente possa ter acesso a uma instituição de ensino particular. Precisamos pensar nos esforços de outras pessoas, e, pensar também, nos professores e na escola como um todo.

Professores, obrigada, de verdade. Eu sei que para vocês não está sendo fácil também. Obrigada por não terem desistido, por terem conseguido se adaptar. Obrigada por serem capazes de se colocarem em nosso lugar e nos mostrarem sempre, que é preciso continuar seguindo em frente e que tudo isso, vai passar.

Agradeço, também, ao CNSD, por ter tomado atitudes como a implantação do EAD tão rapidamente. Obrigada por nos permitirem continuar estudando, mesmo sob as atuais circunstâncias. Obrigada por estar aberto às sugestões e nos orientar. Obrigada por ter reduzido a carga horária semanal, aliviando um pouco o peso do dia a dia. Obrigada por estar sendo, mesmo de longe, o ambiente acolhedor que eu conheço desde os seis anos de idade.

Este post tem um comentário

  1. Parabéns Luísa, você conseguiu descrever perfeitamente os sentimentos da maioria das pessoas que converso e até mesmo os meus.
    Agradeço ao CNSD por todos estes anos em que confiei e confio no trabalho sério da Equipe desta Instituição de Ensino, são aproximadamente 20 anos no total de estudo dos meus filhos.
    Acolhimento definiu muito bem o CNSD.

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