Petrópolis e as chuvas: Uma questão de caráter histórico

Petrópolis fica localizada no norte do estado do Rio de Janeiro numa área de Mata Atlântica que fica a 813 metros acima do nível do mar. Mais de 3.000 dos 5.507 municípios brasileiros ocupam hoje a área que originalmente foi de Mata Atlântica e cerca de 108 milhões de habitantes vivem sobre áreas de influência dela. O clima tropical de altitude, propicia verões muito úmidos, com invernos secos e relativamente frios.

Em fevereiro de 2022 a cidade foi atingida por fortes chuvas, causando inúmeras perdas, inclusive humanas. Há 11 anos a região serrana do Rio de Janeiro, onde se localiza Petrópolis, fora afetada pelas chuvas. Na ocasião, outras cidades serranas, como Teresópolis e Nova Friburgo, também foram duramente atingidas: deslizamentos e enchentes deixaram 918 mortos.  Além disso, 30 mil pessoas foram desalojadas e 99 não foram encontradas, segundo dados do Ministério Público.

No entanto, a tragédia atual recebeu a triste marca de ser a mais letal da história da cidade, ultrapassando as mortes de 2011 (que em Petrópolis foram 71 registradas, segundo dados da Defesa Civil), e de 1988, quando 171 pessoas foram fatalmente vítimas de um forte temporal, segundo o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais.

Em Petrópolis, a cidade de Pedro, já que pólis em grego significa cidade, as fortes chuvas não são um fenômeno exclusivamente atual. No século XIX, Dom Pedro II, durante os anos de 1861 e 1862, já falava sobre o impacto destas na cidade. A inércia do poder público era uma preocupação do Imperador, como podemos observar neste trecho escrito pelo próprio: “Conversei hoje com o engenheiro do distrito; pouco se fez do ano passado para cá. Os estragos que fez a enchente levaram 2 meses a reparar, segundo me disse o engenheiro. Falei-lhe sobre a vantagem de introduzir na colônia a cultura da amoreira e criação do bicho-da-seda”.

https://www.band.uol.com.br/bandnews-fm/rio-de-janeiro/noticias/dom-pedro-ii-demonstrava-preocupacao-com-chuvas-e-falta-de-acoes-em-petropolis-16479430

Observamos, portanto, que o Imperador escreveu sobre as chuvas que duravam muitos dias e suas consequências em seus registros escritos, onde também abordou especificamente a cidade de Petrópolis e os problemas em sua estrutura. É importante lembrar que a cidade foi fundada pelo Imperador em 1843, mas seu pai, dom Pedro I, já conhecia e possuía propriedades no local, que fazia parte da antiga rota do ouro, em direção às Minas Gerais. 

 Fevereiro de 2022: Fortes chuvas vêm castigando a cidade imperial

Um mapeamento feito pela prefeitura, ao longo dos últimos anos, identificou 720 moradias em áreas de risco. Grande parte das tragédias que ocorrem nesta cidade tão querida pelos fluminenses, deve-se às construções irregulares, que vão tomando espaço em áreas de encostas, que antes eram arborizadas.

 A tendência de adensamento populacional é limitada apenas pelos afloramentos rochosos que são áreas de extremíssimo risco de deslizamento, podendo até, em casos extremos, suceder avalanches de rocha como o ocorrido neste mês de fevereiro de 2022.

Em suma, solo encharcado, construções em áreas em declive (encostas), falta de políticas públicas para solucionar o desmatamento, as construções irregulares, as regulares (por forças econômicas e políticas) somado ao escoamento da água em períodos de muita chuva são fatores que nos ajudam a entender a tragédia. Contudo, como este não é um fenômeno recente e exclusivo, não podemos tratá-lo apenas como desastre natural. Com tantas vidas perdidas e afetadas torna-se urgente o investimento em políticas públicas na região.

Diante de todo este cenário, tornou-se fundamental nos unirmos a uma grande corrente de solidariedade: SOS Petrópolis. Com essa corrente do bem o Colégio Angelorum realizou, entre os dias 21 e 25 de fevereiro, arrecadações de água mineral, roupas, cobertores, materiais de limpeza. Todas as doações foram encaminhadas ao Palácio da Mitra, próximo ao Colégio, e de lá, à cidade Imperial.

Convidamos dois alunos do 9º ano para falar a respeito da Campanha endossada pela escola. Luís Felipe Barbosa de Carvalho afirmou que a situação do munícipio fluminense o sensibilizou.

“Essa tragédia me deixou bem triste porque tenho amigos que moram lá (todos estão bem), só que muitas pessoas morreram e eu fico pensando na família das pessoas que morreram. E essas famílias perderam tudo, parentes, roupas, casas, comida. Eu acho super importante participar da campanha. A doação é um ato de bondade, de amor, de carinho.

Kauã de Melo Farias também comentou: “Eu fiquei muito triste vendo várias pessoas passando por essa situação catastrófica. Ajudar ao próximo é um ato solidário e empático e eu acho extraordinário o colégio querer auxiliar a cidade.”

Doar é um ato de Amor!

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